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Flexibilidade no trabalho e modelos híbridos – Expectativas e Maturidade

Avaliação sobre os modelos de trabalho Presencial, Híbrido e Remoto. Quando podemos ter flexibilidade e como fazer gestão de pessoas

Por Yves Mourão – Consultor de Empresas em Estratégia, Inovação, Gente e Tecnologia para o lucro.

Entregas, autonomia e cultura: os pilares de uma gestão eficaz em tempos de trabalho flexível

Em conversas com amigos e clientes, tenho me deparado com diversas situações em que grandes organizações deixam de contar com pessoas brilhantes em seus times por insistirem no regime 100% presencial.

Será que isso fala mais sobre candidatos mal acostumados… ou sobre lideranças e modelos de gestão que ainda precisam se atualizar?

Você já passou por esse tipo de desafio?

No conteúdo abaixo, compartilho dados de pesquisas confiáveis e uma pitada do que já vivi na prática.

(Todos os dados e pesquisas citados neste artigo estão listados nas referências ao final do texto)

Dados que trazem o panorama atual…

A Geração Z, que já nasceu hiperconectada e com autonomia como valor central, tem deixado claro: flexibilidade no trabalho não é mais um benefício, é pré-requisito. Segundo a Infojobs (2025), 56% dos jovens da Gen Z no Brasil priorizam o modelo híbrido ou remoto como fator decisivo ao escolher um emprego. Já a pesquisa da Eagle Hill Consulting nos EUA aponta que 61% considerariam deixar a empresa se o modelo flexível fosse retirado.

E não são apenas os mais jovens. A consultoria Croma (2024) mostra que, no Brasil, 86% dos profissionais preferem regimes híbridos ou remotos, sendo 44% favoráveis ao híbrido e 42% ao home office integral.

Seja por mais autonomia, qualidade de vida ou redução do estresse com deslocamentos, a tendência é clara: modelos baseados em confiança e entregas são os que mais atraem e retêm talentos.

O modelo híbrido: o melhor dos mundos?

O modelo híbrido parece reunir o que há de melhor nos dois mundos: presença para conexão humana e cultura, e home office para foco e autonomia.

A EY Brasil (2023) mostrou que 86% das empresas brasileiras já adotam algum formato híbrido, sendo o mais comum o de 2 dias presenciais por semana. Já a KPMG (2024) aponta que 61,8% das empresas por aqui mantêm políticas flexíveis com foco em bem-estar e retenção.

Nos EUA, estudos conduzidos por Nicholas Bloom (Stanford) e aplicados em empresas como a Trip.com revelaram que modelos híbridos aumentam a retenção, mantêm a produtividade e elevam a satisfação dos colaboradores.

Ou seja: funciona, quando bem implementado.

Mas nem toda posição pode (ou deve) ser remota

É importante reconhecer que nem todas as funções se adaptam igualmente ao remoto. Atividades como onboarding, mentoring, brainstorms criativos ou atendimento presencial se beneficiam da interação cara a cara. Algumas funções exigem presença física por natureza e tudo bem.

Por outro lado, áreas como tecnologia, produto, design, conteúdo e dados funcionam muito bem em ambientes 100% remotos, desde que estruturadas com processos e rituais claros.

Mais do que pensar em “voltar ou não ao escritório”, precisamos pensar em quais atividades precisam de presença e quais não precisam. Esta reflexão precisa ser discutida dentro do seu contexto de negócio.

Não é sobre onde se trabalha. É sobre como se trabalha.

Modelos flexíveis exigem maturidade profissional, disciplina, autonomia e, especialmente, lideranças preparadas para conduzir times distribuídos. Quando tudo isso se alinha, o resultado é ganho em produtividade, engajamento e bem-estar.

O que diferencia equipes de alta performance, estejam elas reunidas num mesmo escritório ou distribuídas por diferentes fusos, é a clareza de propósito, a definição de entregas, a autonomia para agir e a confiança nas pessoas, em uma gestão com qualidade. Sem esses pilares, até o modelo presencial escorrega. Com eles bem estruturados, o remoto pode ser tão (ou mais) eficiente que o tradicional.

No fim das contas, não se trata de escolher entre escritório ou casa.

Trata-se de escolher como gerar valor, de forma inteligente, usando cada ambiente com propósito.

  • Usar o presencial para o que ele tem de melhor: interação humana, co-criação, troca espontânea.
  • Usar o remoto para o que ele potencializa: foco, flexibilidade e bem-estar.

Líderes que entendem isso deixam de ser fiscais de horário e viram designers de contexto: organizam o ambiente, o ritmo e a cultura para que o melhor trabalho aconteça, em qualquer lugar.

Gestão no modelo híbrido: e agora, líder?

Se você lidera um time (ou está estruturando o modelo ideal para sua empresa), aqui vão caminhos práticos:

1. Defina critérios com clareza

  • Quais funções são elegíveis ao remoto? Quais precisam de presença parcial ou total?
  • Quais momentos pedem interação presencial? (onboarding, rituais culturais, reuniões estratégicas?)
  • Como garantir igualdade entre quem está remoto e quem está presencial?

2. Estabeleça metas por entrega, não por hora

  • Use OKRs ou KPIs para medir resultado, não presença.
  • Estimule ciclos curtos, com entregas visíveis e autonomia para execução.

3. Invista em ferramentas e infraestrutura

  • Tenha um stack digital coeso: comunicação (Slack, Teams), tarefas (Jira, Trello), documentação (Notion, Confluence).
  • Ofereça apoio técnico a quem trabalha de casa: equipamentos, internet, ergonomia.

4. Lidere com confiança (e processo)

  • Abandone o microgerenciamento.
  • Crie rituais: check-ins semanais, dailys assíncronas, 1:1 mensais.

5. Cuide da cultura

  • Promova encontros presenciais periódicos (quarterly meetings, eventos de integração).
  • Mantenha espaços para conversas informais, mesmo que digitais.
  • Valorize e reconheça o bom trabalho publicamente.

6. Capacite quem lidera

  • Liderar times remotos exige outras habilidades: escuta ativa, empatia digital, comunicação assíncrona, delegação eficaz.
  • Invista no desenvolvimento das lideranças: workshops, coaching, mentorias.

Um pouco sobre o que já vivenciei…

Houve uma época em que o presencial, pra mim, era mandatório. Eu precisava sentir a vibe da pessoa no projeto. Eram iniciativas com muita troca, mudanças rápidas, aquela adrenalina típica do começo de uma startup. Eu queria a squad inteira por perto. Isso já tem alguns bons anos…

Com o tempo, fui entendendo melhor quais cargos realmente faziam sentido estarem do meu lado e quais funcionavam até melhor à distância. Aos poucos, todo o meu time de tecnologia foi ficando remoto… rsrs. E aí, eu passei a reservar os momentos presenciais para alinhamento cultural, integrações, definição de metas e discussões mais complexas de lógicas do negócio ou estratégias de ataque de mercado.

Mas mesmo com essa evolução, percebi um ponto sensível: a performance depende mais do perfil da pessoa do que do modelo. Já tive profissional presencial que passava o dia nas redes sociais e mal entregava. Gente assim, que exige microgerenciamento constante, não vai funcionar no remoto nem no híbrido.

E é aí que entra um fator muitas vezes negligenciado:

Recrutamento e Seleção bem feitos.
Mas se você tiver tempo e recurso, também pode avaliar o desenvolvimento destas pessoas.

Trabalhar com pessoas que já vivenciaram entregas de sucesso em modelos híbridos ou remotos faz toda a diferença. Além da maturidade para autogestão, essas pessoas geralmente dominam as rotinas ágeis, os KPIs, KRs e OKRs. E mais: já entendem o impacto do próprio trabalho na entrega de valor, tanto para a empresa quanto para si mesmas.

Como disse, já tive profissional presencial que não entregava, e também já tive posição em que exigi presença física… mas que, por falta de candidatos, arrisquei no 100% remoto e me surpreendi. Muito.

No fim das contas, o que percebi é que algumas palavras-chave fazem toda a diferença na gestão de qualquer time, inclusive (ou principalmente) nos modelos híbridos e remotos:

  • Boa seleção de pessoas
  • Treinamento
  • Definição clara de entregas
  • Rotinas de acompanhamento
  • Indicadores de desempenho
  • Gestão humanizada
  • Feedbacks constantes
  • Boas ferramentas de gestão

Com isso na base, o “onde” vira apenas detalhe.

No fim, a pergunta não é mais “posso permitir home office?”, mas “como posso estruturar meu time para entregar melhor — com mais liberdade, responsabilidade e engajamento?”.


Antes de discutir onde o time trabalha, é preciso deixar claro para onde a empresa vai, o que importa agora e como isso será executado.


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Sou Yves Mourão, engenheiro e consultor, criador de startups e produtos digitais. Falo sobre Gestão Ágil, Lean, Inovação e IA aplicada ao mundo real.

Fontes de pesquisa:

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